Não vamos nos render. Não vamos entregar nossas armas, ainda que nossas armas sejam apenas palavras. Ainda que nossas mãos estejam vazias e abertas. Não nos entregaremos para aqueles que não nos enxergam. Para aqueles que diferentes de nós não lutam por eles mesmos. Nós, daqui de fora, não precisamos nos unir. Foi o motivo que nos jogou para fora de nossas casas e a maioria de nós sequer tinha casas. Foi o motivo que nos juntou nas ruas e fez com que déssemos as mãos. Se gritamos é porque precisamos ser ouvidos. Nossos homens se seguram para não chorarem. Nossas crianças morrem aos poucos e precisamos gastar nossas poucas forças para enterrá-las. Nossas mulheres já não são mais mulheres e desmaiam pelas calçadas. Não nos importamos com os olhares de cima e enojados. Queremos apenas comer e comer queremos. Saibam que pela manhã tomamos água, no almoço tomamos água e na janta tomamos água. A fome, nossa fome coletiva, é mais poderosa e dilacerante que qualquer arma de fogo. Podem matar dez dos nossos. Podem matar mil. Continuaremos com fome e por ela nas ruas gritando. Antes de suas próximas garfadas escutarão nossas vozes desesperadas. Não pedimos mais do que podemos ter. Nem uma colher a mais do que nos é de direito. Nenhum homem deve passar fome enquanto existir outro homem que pode dar a ele o que comer. Não queremos mais saber de governos, de leis ou ideologias. Não queremos pensar em circo, seja o circo que for. Dominaram nossos pensamentos e nossas bocas vazias pedem comida. Este manifesto é para informá-los, a todos e sem exceções, que estamos nas ruas, por todos os lugares, em todos os países, sem termos o que comer, moribundos e vivendo de migalhas encontradas nos lixos. Nós, que até então ficamos apenas nas ruas, escondidos e esperando que decidam quando e se irão nos alimentar, estamos cansados e de mãos dadas invadiremos suas casas. Se uma guerra começa por um motivo banal, por vontade de poder ou qualquer outra razão, ela tende a cessar aos primeiros tiros, com as primeiras perdas, aos primeiros cálculos da lógica que mostra que é impossível ganhar. Nós não calculamos e nem queremos saber. Somos muitos e temos a fome do mundo. Iremos lutar até o fim e o fim está próximo. Estão avisados.
I have never found a rabbit behind my door
Have you?
Wish i could just open your mind
And find me
Smiling
Walking funny
Braiding my steps
For whom is from another part of world
Shall not try to translate
Words never heard
Just feel the warmth
Crossing the sea
Touching your hands
And saying
It likes rabbits
Smiles
And fun
Minha saudade termina onde você começa
Escrever sobre o que não se pensa ao som de uma música extremamente alta, que repete uma única frase e que grita aos ouvidos como se fosse a prova de que alguém bem ao longe chama. Fazer de conta que isso é único ou importa. Lembrar-se de que amanhã será um novo dia igual. Encontrar depois de sete anos uma pessoa querida agora, mas que em um futuro muito próximo já terá sido esquecida. Sorrir para ela. Deixar que os braços se tornem novos abraços e a conversa resuma esses anos em duas ou mais frases, títulos e outras pessoas. Deixar que ela se vá novamente para mais alguns anos, mas nos dias que se seguem descanse um pouco em seus sonhos. Que tudo volte com mais força e a saudade aperte o peito, sem piedade, sem se importar com um sofrimento mais que doído. Levantar-se tão cansado a ponto de não querer desaguar em banho quente. Olhar no espelho e decidir que os tempos devem se misturar, em nuvens que brincam e figuras bonitas. Sair determinado a mudar o que não mudou, o que ficou e não mais roda. Não se encontrar com o inesperado nas primeiras trinta e cinco horas e de cansado quase desistir. Até que a loucura lhe segure os pés e comece a fazê-los correr mais uma vez pela cidade. Tomar um copo de água gelada dado por uma senhora na beirada de um portão, de um bairro nunca antes conhecido. Olhar para o céu e ressentir a chuva, tão querida, que em tantas estações mal passou das janelas. Deixar que a felicidade se espalhe em pingos e a roupa se molhe toda inteira. Correr renovado e sem pensar. Dar bom dia a um arco-íris que inexiste. Perceber-se completamente diferente, em um novo dia. Assim, voltar para casa sem o reencontro e antes que a música acabe encontrar-se sete anos mais novo, com o sentimento ainda quente dentro do peito. Sorrir para ela no dia seguinte, mesmo sabendo de tudo isso. Deixar correr...
Queria fazer de conta que inventei a música ou então todas as palavras. Finjo que canto antes mesmo de falar e todos os outros homens me olham assustados. Eles, que até então viviam na solidão de suas próprias cabeças sem imaginação. Com a primeira canção o silêncio ganha novo significado. Os outros também tentam, sem sucesso. Movimento minha boca graciosamente até formar o francês e os xingo. As palavras nessa língua são todas bonitas, mas é no português que me encontro, algumas etnias depois. Faço sílabas sem propósito, encosto nos objetos como professor diante de seus alunos atentos e os nomeio um a um. Essa aqui, digo, será para sempre uma árvore. Repitam comigo: ár-vo-re. E eles repetem, alguns mais, outros menos. Continuo andando e logo uma multidão vem atrás de mim. Sinto o poder na garganta, nas cordas vocais que brincam, na língua desenrolada depois de tanta espera. Corro até o alto de alguma coisa que ainda não possui nome e me viro. Sou eu, o homem que fala diante de milhares de ouvidos. Com o passar do tempo, dos dias, dos anos, percebo que aqueles homens nunca falarão. Repetem sim tudo o que digo, o que invento, mas não o fazem sozinhos. Quatro anos depois havia inventado instrumentos, todos eles, e os tocava quando em solidão. Eram os meus olhos refletidos na madeira que via lacrimejar depois de uma bela canção. Eram as sutilezas de cada nota, a harmonia mais simples que me fazia chorar. Não tendo com quem conversar aos poucos me calei. Deixei de lado os violinos e me juntei a eles. Os resmungos diminuíram e a calma se fez novamente. Meu coração se esqueceu de tudo aquilo e apenas bateu pelo tempo-espaço que lhe era devido. Foi então, sempre então para que as histórias se tornem um pouco mais histórias, um pouco menos tristezas, que ela apareceu. Ela, uma mulher que a minha frente eu imaginava ter criado sozinha toda a sua espécie. Abriu a boca e falou para as outras: chegamos? Elas confirmaram. Eram vozes doces, eram vozes que conversavam entre si e que muito bem se entendiam. Levantei-me, como os outros milhares, mas antes de lhes dar as boas vindas pude ouvir mais uma vez o que falavam. Vinham de um lugar distante onde outros homens já falavam e fugindo deles ouviram sobre esse lugar de paz. A primeira que chegou gritou para as outras: onde não se fala não existe a dor. Subitamente todas se calaram. Achei de uma idiotice tremenda aquela afirmação, mas elas conheciam um mundo que eu não podia imaginar. Juntaram-se as multidões como se fossem sempre assim e em silêncio viveram. A verdade é que de raiva e desentendimento sai dali para longe e voltei após alguns dias. Quando cheguei uma mulher me pegou pela mão e me deu água para beber. Sorri e disse: obrigado. Teria sido minha última palavra, teriam decretado ali minha morte para que ninguém mais se contaminasse com outros pensamentos, mas graças ao deus que nomeei Deus ela era surda e eu mais uma vez me calei.
Descubra em recortes as várias formas de se contar histórias. Em contos, poemas, fotografias, vídeos e trabalhos é possível entender um pouco melhor sobre esse universo particular.
TRABALHO ATUAL
· Desde agosto de 2010 trabalha na agência de Comunicação Delucca como Redator.
FORMAÇÃO
· Graduado em Comunicação Social - Habilitação em Midialogia, na Unicamp.
EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
· Julho de 2007 – 16° COLE – Congresso de Leitura.
Cargo: Monitor.
· Julho de 2008 - 4° Seminário Internacional – O professor e a leitura do jornal.
Cargo: Monitor.
· Agosto de 2008 – 19° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.
Cargo: Monitor.
· Outubro de 2008 – Curta-metragem Sobre os Homens. Selecionado no Festival Claro Curtas.
Cargo: Direção e Fotografia.
· Fevereiro de 2009 – Curta-metragem Spectaculum, dirigido por Juliano Luccas. Melhor Filme e Ator no 7° Festival de Mogi-Guaçu. Melhor Filme e Fotografia no 2° Festival de Cinema de Paulínia.
Cargo: Produção e Continuidade.
· Maio de 2009 – Curta-Metragem Sonhos, baseado no álbum Transubstanciação, de Lourenço Mutarelli.
Cargo: Fotografia e Edição.
· Junho de 2009 – Vídeo Clip do espetáculo teatral Era... Uma Vez?, da Cia. Terraço Teatro. Produção do dvd do espetáculo.
Cargo: Fotografia e Edição.
· Julho de 2009 – 17° COLE – Congresso de Leitura.
Cargo: Monitor.
· Agosto de 2009 – 20° Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, Noites de Kino.
Cargo: Direção.
· Setembro de 2009 – Curta-metragem Campinas em Foto. Selecionado pelo FEIA 10.
Cargo: Direção e Fotografia.
· Outubro de 2009 – Curta-metragem Quiçá.
Cargo: Roteiro e Direção.
· Fevereiro de 2010 – Vídeo de formatura do FORMARE – curso oferecido pela empresa Magneti Marelli.
Cargo: Fotografia e Edição.
· Fevereiro de 2010 – Vídeo Clip da música Vai Q Me Dá, de Patrick Amstalden.
Cargo: Edição.
· Abril de 2010 – Festival de Música - Unicamp: 25 anos de liberdade de expressão.
Cargo: Assistente de Fotografia.
· Maio de 2010 – Gravação do espetáculo teatral Calcinhas e Cuecas, participante do FICC 2009 - Cia. Terraço Teatro.
Cargo: Fotografia e Edição.
· Setembro de 2010 – Curta-metragem China. Projeto coordenado por Newton Cannito.
Cargo: Roteiro, Fotografia e Edição.
· Junho de 2011 – Programa piloto de TV Relacionados.
Cargo: Direção e Edição.
· Outubro de 2011 – Curta-metragem Não Peça a Deus. Projeto em conjunto com Boa Companhia, Barracão Teatro, Terraço Teatro, Orquestra Filarmônica de Itu, entre outros.
Cargo: Roteiro e Direção.
QUALIFICAÇÕES E ATIVIDADES PROFISSIONAIS
· Inglês Avançado, conclusão em 2006 na escola de idiomas CCAA.
· Espanhol Iniciante.
· Iniciação Científica em Documentário com o Profº Dr. Fernão Ramos. Projeto: “A entrevista de Eduardo Coutinho: método e transformação”. Melhor tema livre do XIX Congresso de Iniciação Científica da UNICAMP. Entre os 20 melhores trabalhos.
· Revisor e redator do jornal Ô, Xavante!